Vice-governador Edmundo Pereira fica no PMDB

29.09.2009

Lúcia Oliva

Foto - Vice-governador Edmundo Pereira fica no PMDB

Leia na íntegra a entrevista com o vice-governador Edmundo Pereira

O rompimento entre o PMDB e o PT, leia-se Geddel Vieira Lima e Jaques Wagner, há mais de um ano das eleições, antecipou uma série de definições sobre o processo eleitoral em 2010 e causou muita expectativa sobre as mudanças que poderiam acontecer no tabuleiro da política baiana. Uma das dúvidas era qual seria o destino do vice-governador Edmundo Pereira (PMDB), que está filiado no partido há mais de trinta anos, mas desenvolveu uma forte amizade com o governador Jaques Wagner. Chegou-se a cogitar que Edmundo Pereira deixaria o PMDB e ingressaria em um partido da base de sustentação do governador, mas em entrevista exclusiva ao Jornal Tribuna do Sertão, Edmundo Pereira confirmou a sua permanência no PMDB. Leia a seguir, na íntegra, a entrevista com o vice-governador.

Tribuna do Sertão - O senhor está filiado no PMDB há mais de 30 anos e tem uma história dentro deste partido. Após o rompimento do Ministro Geddel Vieira Lima com o Governador Jaques Wagner, a imprensa baiana especulou que o senhor estaria deixando o PMDB. O senhor já tomou uma decisão?
Edmundo Pereira - Não concordei com a forma como se deu o rompimento entre o PMDB e PT. Disse isso, inclusive, ao Ministro Geddel. Acredito que deveria ter acontecido uma discussão mais ampla, envolvendo as lideranças do interior. Era importante que tivesse havido encontros regionais, até para o próprio fortalecimento do partido, para discutir uma candidatura própria do partido. Mas isso não justifica a minha saída do partido, até por que minha vida política foi toda constituída nele. O PMDB é para mim um patrimônio político construído ao longo destes 35 anos. Tenho certeza de que posso contribuir e muito com o meu partido para o seu crescimento na Bahia e no Brasil.

Tribuna do Sertão - O senhor mantém uma relação de amizade com o governador Jaques Wagner e tem procurado dar a sua parcela de contribuição em seu governo. Diante disso, foi difícil tomar a decisão de romper com o PT?
Edmundo Pereira - Fui convidado por vários partidos da base aliada do governo para que me filiasse e desta forma não haveria rompimento nem com o PMDB, nem com o PT. Agradeci a todos que me ofereceram uma nova legenda, mas como já disse a minha história política foi construída dentro do PMDB e acredito na fidelidade e nas propostas do meu partido.
Através da política tenho conquistado muitos amigos e foi desta forma que começou a amizade com Wagner. Tenho por ele um respeito muito grande e a certeza de que isto é recíproco, não só com relação a minha pessoa, mas também com relação à minha companheira Marizete. Mas a política está acima das amizades, com todo respeito que tenho pelo Governador. Eu tenho partido e nele já estou há 35 anos. Acredito que ele tem a compreensão de que seria muito difícil abandonar um partido que ajudei a construir e procurar outra sigla. Vou continuar respeitando o Governador, procurando manter um bom relacionamento, até porque tenho certeza que terei um papel importante no PMDB agora e no futuro.

Tribuna do Sertão - Esse papel importante está relacionado com a previsão de segundo turno no processo eleitoral de 2010 para escolha do governador?
Edmundo Pereira - Não tenho dúvida nenhuma de que isto vai acontecer. Com três candidatos é muito difícil que a eleição seja definida no primeiro turno. Se não houvessem três candidaturas e o PMDB continuasse a aliança com o PT, tenho certeza de que Wagner seria eleito no primeiro turno. Mas como são três candidatos, a probabilidade de que aconteça o segundo turno é bem maior. Sendo assim, por exemplo, ficando Wagner e Paulo Souto eu terei condições de buscar dentro do meu partido o apoio para Wagner no segundo turno. E se o segundo turno for disputado por Geddel e Paulo Souto, terei dentro das amizades construídas ao longo deste governo, a possibilidade de buscar o apoio do PT para Geddel. Se o segundo turno for disputado por Geddel e Wagner será ótimo, pois qualquer um dos dois ganhando seria muito bom para a Bahia. Acho que o relacionamento de amizade e respeito com Wagner é muito importante neste momento, não só para o PMDB como para o PT.

Tribuna do Sertão - O Senhor já comunicou a decisão de permanecer no PMDB ao governador Wagner?
Edmundo Pereira - Já. Wagner foi a primeira pessoa com quem conversei. Ele entendeu perfeitamente, até porque ele ajudou a construir o PT. Quantos anos tem o PT? Vinte e poucos anos. Seria fácil ele sair do PT? Imagine eu, com 35 anos, romper com o partido que ajudei a construir. São histórias semelhantes e ele sabe, como eu, que é impossível deixar para trás uma história de lutas e conquistas.

Tribuna do Sertão - Com relação a Brumado, há muita especulação sobre os cargos de confiança ocupados por indicações do PMDB. As pessoas permanecem ou saem depois do rompimento?
Edmundo Pereira - Isso só depende do Governador. Quem tem a caneta é ele. Quem nomeia e exonera é ele. Confesso que não houve nenhuma conversa neste sentido com o Governador. Gostaria de aproveitar e esclarecer, até para que não haja nenhum tipo de especulação, que em nenhum instante o Governador tentou me cooptar para que eu saísse do PMDB para ser seu vice. Há muito tempo ele deixou transparecer que gostaria de manter a mesma chapa de 2006 em 2010. Mas em nenhum instante ele disse, saia do PMDB e venha para um partido aliado para continuar sendo meu vice.

Tribuna do Sertão - Com relação as obras que beneficiam Brumado: a construção da sede da Uneb continua com possibilidade de acontecer?
Edmundo Pereira - O governador Wagner tem dado demonstração de ser um republicano. Tem atendido muitos prefeitos, com os quais não tem nenhum vínculo político, inclusive que não o ajudaram a construir esse governo. Agora, imagine Brumado, a terra do vice-governador, amigo dele, não tenho dúvida nenhuma que ainda vamos conquistar muitas obras para Brumado.
Com relação a sede da Uneb, todos os reitores têm autonomia para decidir onde os recursos serão aplicados e já existe alguns disponíveis para começar a obra de Brumado. O Reitor já me disse que estão sendo dados os últimos passos na parte burocrática e tão logo seja finalizada esta primeira etapa, a construção começa. Posteriormente, serão necessários recursos para conclusão da obra. Tenho certeza de que o Governador fará isso, uma vez que ele sabe da importância da educação para o desenvolvimento sustentável da nossa Brumado, da nossa Bahia, do nosso Brasil.
Após a conclusão da sede haverá a implantação de novos cursos. Esse é um compromisso que o Reitor assumiu comigo. Há uma expectativa que seja o curso de Direito, mas o Reitor já me disse que será feita uma pesquisa para avaliar a demanda não só de Brumado como da região.

Tribuna do Sertão - Os problemas ambientais estão cada vez mais graves. Em Brumado tornou-se imprescindível a despoluição do Rio do Antônio e a recuperação das suas matas ciliares. O primeiro passo é a construção de Estação de Tratamento de Esgoto em Brumado e nas cidades que despejam suas redes de esgoto no rio do Antônio. O que o Senhor tem a dizer sobre essa importante obra para Brumado e região?
Edmundo Pereira - Na última conversa que tive com o presidente da Embasa, ele me disse que o projeto de construção da Estação de Tratamento de Esgoto de Brumado já está pronto e que está buscando incluir a obra no PAC - Programa de Aceleração do Crescimento. Se isto não for possível, será verificado a capacidade da Embasa de tomar um empréstimo junto à Caixa Econômica Federal. O primeiro caminho é incluir a obra no PAC. Sei que é uma obra importantíssima para o Rio do Antônio e tenho feito todos os esforços para realização desta obra, que é um sonho que acalento desde o tempo em que era prefeito.

Tribuna do Sertão - O senhor gostaria de acrescentar mais alguma coisa?
Edmundo Pereira - Fiquei muito honrado ao ser procurado pelo jornal Tribuna do Sertão para esclarecer a minha posição política neste momento, porque sei da credibilidade deste veículo de comunicação. Sobre o futuro, só posso garantir que vou procurar continuar dando a minha parcela de contribuição ao governo Wagner para construirmos uma Bahia de todos nós. Aproveito para deixar um abraço para todos. Muito obrigado.

 

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JUNEI RÊGO (29.09.2009 - 11h11)

Edmundo, como era esperado, manteve o respeito e coerência política de sempre; além disto, manteve a cordialidade gom o governador Wagner o que significa que a Bahia, realmente, vive uma nova era...sem chicote, sem mentiras e livre. Avante Bahia!

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