GUANAMBI

24.05.2010

Da Redação

Foto - GUANAMBI

Morre jornalista Pedro Diedrichs

Faleceu no final da manhã desta quinta-feira, (20), em Salvador, o jornalista Pedro Diedrichs, editor do Jornal Vanguarda, com sede em Guanambi. "Seu Pedro" estava em coma há vinte e dois dias após se submeter a uma cirurgia no Hospital das Clínicas para amputação do pé direito, devido ao diabetes, sua maior inimiga. O corpo está sendo transladado para Guanambi onde será velado e sepultado nesta sexta-feira.

Muito polêmico, o jornalista era admirado por muitos devido as suas iniciativas na comunidade em prol das entidades sociais, tendo criado o Conselho de Segurança Pública - Consep, sendo voluntário da Apae, membro do Conselho Comunitário, entre outros. Mas, também era odiado por outros por sua língua afiada que recheada as páginas do Jornal Vanguarda.

Pedro Diedrichs, Iniciou sua carreira como jornalista em 1967 através do Jornal do Comércio, de Manaus, Amazonas, antes tendo participado da revista "Urubu", nos anos 1965 / 1966. Escreveu inúmeros artigos e crônicas que estão espalhados pela Rede Mundial de Computadores. Foi correspondente durante muitos anos do Jornal Tribuna do Sertão em Guanambi, de onde se afastou para se dedicar integralmente ao seu jornal Vanguarda.

Seu Pedro escreveu sobre tudo, até mesmo sobre sua morte e como deveria ser o seu velório, texto que passamos a reproduzir abaixo.

O projeto do meu velório está mais fácil de ser realizado afirma Seu Pedro (*)

Terça, 24 de Novembro de 2009
Mesmo que eu continue a desejar que seja um projeto secular, só concluído após 2101, de qualquer maneira é preferível estar pronto para o caso de alguma "falha do paciente", e por isto estou espalhando via Internet a novidade do "projeto do meu velório", já conhecido por milhares de internautas em outro endereço eletrônico, há quase meia década.

No título acima, o "velório" é apenas por uma questão de tradição, afinal convencionalmente dizem que o ato de se despedir do morto é assim chamado. Mas não quero, e peço desde já que não acendam velas no meu velório, explico: Fazem fumaça e calor infernal no ambiente. Ventiladores girando em velocidade suave darão a sensação das brisas celestiais. Nem desejo que chamem de "câmara ardente" a minha exposição fúnebre.

Como deverão, então, chamar os meus últimos instantes antes de descer ao subsolo? Chamem-no de "O último chá beneficente de Seu Pedro", cujo resultado apurado deve ser revertido para APAE, entidade para qual sou voluntário. E pela quantidade interessadas em confirmar a minha morte, creio que serão recolhidos muitos alimentos. Explico: Haverá um chá beneficente durante aquele "expediente mortal".

Amigos, familiares ou curiosos que queiram ver o meu corpo de camiseta sem mangas, sem o paletó e a gravata destes momentos, mas com um sorriso eterno, então levem á dois quilos de alimentos não perecíveis. Aviso que vou pedir ao anjo Gabriel, aquele que ostenta a balança na mão para conferir o peso, e ainda a qualidade e data de validade do produtos baratos. Não vale levar sal, fubá, farinha de mandioca, macarrão familiar ou produtos similares da loja de um real! Levem coisas boas. Afinal, um gesto destes acontece uma vez na morte. Então não sejamos miseráveis como o fiel da missa, que procura a nota de real mais velha e amassada para colocá-la na cestinha do padre.

E desde já comunico que aquele que não der com desprendimento, e quem não levar o que solicito que "voltarei" para lhe puxar o pé. (Isto nunca acontece, mas a maioria tem medo, e vale o blefe) No caso do aparecimento de minha alma, e se tratando daqueles que viviam torcendo para que eu embarcasse nesta última viagem, primeiro espero que tomem conhecimento da minha morte, pois será engraçado que eles enxerguem algum sósia meu, e dobrem as esquinas às carreiras. Os que não souberem do fato, lá de cima darei risadas das mensagens ofensivas enviadas pelo e-mail, e sem nenhuma resposta malcriada!

Estarei no paraíso (assim espero) com os anjos, ou no inferno, com centenas de outros jornalistas e alguns padres. E se é que a gente lá do alto pode ser ouvido por alguém aqui na Terra, não se assustem ao ouvir minhas gargalhadas parecidas com as que em vida terei dado, ao ouvir promessas de políticos velhacos. Com as minhas viúvas (posso ter me convertido ao islamismo) deixarei autorização para a liberar dos dois quilos de alimentos os tais militantes, afinal eles são assim: "Dar algo? Só se for eleitor do partido e dividir a doação partida!".

Flores? Por favor, no máximo algumas de tecido biodegradável, artesanato de uma alguma alegre vovó, e não mais que meia dúzia. Flores de plástico, não. sou adepto de respeitar e não poluir a terra. Não gosto também de "forró de plástico" ou o "axé de silicone", tão vulgares como "samba de academia". Samba é do povo e tem que ser de gafieira. Os bumbuns femininos, por exemplo, só são agradáveis quando são de carne, mesmo na versão econômica. Nada de silicones, afinal se fosse para apalpar bumbum artificial ficaria viúvo de um manequim, destes que ficam em vitrinas de lojas. Quanto as flores verdadeiras reitero; não! Flores naturais nunca me fizeram algum mal, para que então que em meu nome sejam levadas a uma antecipada morte, e conduzidas em meu caixão!

Se julgarem que deve ser feito algum culto, se for católico, por vontade dos que ficam, primeiro peçam atestado de virgindade bi-lateral ao padre candidato recomendar meu corpo. Afinal em outras atividades eu admito os gays, e até já assisti da sacada do hotel em que me hospedo em Salvador, enquanto vivo, várias passeatas gays. Mas certos "desvios de função" ferem o voto de castidade feito na ordenação sacerdotal durante celebrações, nos cultos permiti-los não acho coreto, é contribuir para a degradação da igreja: Escolho, como leitura bíblica: "Disse então Maria: a minha alma engrandece ao Senhor. E o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador". (Lucas 2:46-47)..

Em determinado momento será servido um "chá da tarde", e a minha atual amada ouvirá em voz e violão, cantada por um cantor que seja bonito (pois mulheres olham a beleza, como belas elas são) Dirá ele, na ocasião meu porta-voz, que estou dedicando à minha família, principalmente à minha amada, a canção poética de Vinicius de Moraes "Eu sei que vou te amar". E peço que, se minha amada chorar, que chore pela emoção que transmitem os versos, e não pela minha morte, pois me sinto suficientemente vivido.

Ao final da solene tarde, uma hora antes do expediente do cemitério, carregando o caixão qualquer grupo voluntário, na frente seguirá uma faixa, em boas letras, para que todos da cidade leiam: "Por tudo de bom que vivi com Teny (como chamo, carinhosamente, minha amada) liberto, agora, o amor que aprisionei em mil novecentos e noventa cinco. Do dia em que a cativei até hoje fui muito feliz,"...

Que então desça o defunto e com ele todos os orgulhos, superioridades, vontades, imposições e desejos pessoais. Mas que os sonhos fiquem. Que o mundo seja melhor... E onde está mais fácil a realização do projeto velório? Diversos artistas da música já se ofereceram para a cantada, e o melhor é que sem cobrar cachê!

* * * * * * * * * * *

(*) Seu Pedro é o jornalista cronista, humorista e realista Pedro Diedrichs, 62 anos, portador de hérnia, diabetes, e cardiopatia, as quais agradece a Deus pois este o tem preservado de males piores entre as cerca de 1.500 doenças conhecidas!

 

 

COMENTE ESSA NOTÍCIA | 2 COMENTÁRIOS

Rosane Tatagiba Diedrichs (03.12.2010 - 11h11)

espero que tio Pedro descance em paz queri estar presente a este evento,queria nesses ultimos dias esta presente mas nem tudo é como a gente quer tio queri te diser.............................................................................................................................................................................................tchau...

Liliane Diedrichs (05.12.2010 - 13h01)

Belíssima historia do tio..

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