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Colunistas Independentes

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O SILÊNCIO DAS ESTRELAS

Postado por Colunistas Independentes em 18.10.2009

"Os que silenciam e não protestem diante de tudo isso, são eloqüentes mudos"
Padre Antônio Vieira

A universalidade da cidadania é, sem duvida, uma das características mais importante de nossa época. De fato, a cidadania, em unidades estatais suscita questões fundamentais de direitos humanos porque alem da cidadania existe a questão da participação individual, as vezes acima da participação coletiva.

É justamente esta interpretação da sociedade e do Estado que aumenta a possibilidade de novas formas de reação organizada, de protestos à falta de moralidade e de ética política e, das inúmeras iniqüidades que surgem de maneira tão alarmante ultimamente em nosso País.

Ora, se a sociedade organizada e, em particular seus portas-vozes mais representativos ou suas figuras publicas mais populares não se manifestam diante da omissão do Estado frente a corrupção e a vergonhosa impunidade que impera no Brasil, o conceito de cidadania perde todo seu sentido; Torna-se uma generosa utopia e a maior aberração política do momento.

Padre Vieira tenha razão quando, frente a roubalheira e a corrupção praticada pelos poderosos de plantão da época, lamentava a falta de indignação das pessoas de bem.

Ilustra bem esta situação o fato que de 2003 a 2008, pelo abrandamento das leis e a impunidade, o Brasil conquistou o vergonhoso segundo lugar, no mundo em tráfico de pessoas. Despencou de 5 lugares no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano da ONU, ficando em 75º lugar num elenco de 160 países, abaixo do Chile, da Argentina e da Colômbia.

Mesmo panorama quando se observa os resultados da carnificina no transito proporcionados por motoristas embriagados ou sem carteiras, que sempre saem livros das delegacias. Nisso o Brasil ocupa o primeiro lugar no pódio do horror.

Assassinatos de jovens, seqüestros, crianças abandonadas nas ruas, assaltos sempre mais violentes, roubos de carro, tráfico de drogas, crime organizado, corrupção empresarial, policial e política de vento em popa... Toda uma litania de ações devastadoras que desperta o ronco medonho do terror nas pessoas e deixa a sociedade espantada frente a inércia do Estado em combater de verdade toda esta barbárie. Afinal será que nossa vaidade nacional que já exprime um acentuado niilismo jamais aceitara razoes que dessem à vida a naturalidade de alguns outros fenômenos de valores.

Todas as instituições de uma sociedade são cúmplices quando assistimos a cada dia a destruição da vida neste País, seja ela, humana, animal ou vegetal.

O que fere nossa própria consciência de cidadão é o silencio vergonhoso de nossas supostas "estrelas". Aqueles que justamente por suas posições de notoriedade publica poderiam usar de seu prestigio para denunciar toda esta miséria moral e social que nos angustia tanto. À exceções de Fernanda Montenegro, Boris Casoy, Rachel de Queiroz, Don Arns e Betinho em seu tempo, nenhuma voz publica se levantou neste Pais para refletir a indignação do povo. Este grito de dor comum que fere nosso quotidiano.

Todas as quintas-feiras, no Rio de Janeiro, nossos imortais da Academia de Letras tomam o chá dos cincos no conforto burguês de suas poltronas imperiais, totalmente alheios a qualquer responsabilidade cívica que os engajam. Não é de se surpreender que um deles que representa o coronelismo mais arcaico do Nordeste seja um ilustre membro da corte do "Príncipe que governa."

Um festejado cantor sertanejo à quem um jornalista perguntava o que pensava de tudo isso, deu esta resposta desconcertante. "Meu amigo, não faço política." Ilustra bem o nível de egoísmo e a indiferença cívica e moral desta gente frente aos dramas nacionais.

Em todos os outros países do mundo e em todas as épocas desde a Republica de Atenas, as vozes dos grandes homens e das celebridades do momento se destacaram para denunciar as ofensas sociais, políticas e morais que atingiam a sociedade... Aqui não!

Que dia, um de nossos artistas, estrelas do show business, esportistas consagrados, padrinhos e madrinhas de "baixinhos" escritores à la mode, os ditos famosos que na maioria das vezes não passam de snobs impudentes metidos a intelectuais foi individualmente a ume emissora de Radio ou de TV, a um jornal ou uma revista indignar-se desta vergonha nacional que nos cerca todos os dias, desta dor moral que não ousar mais dizer seu nome?

A reputação a que alcança certas personalidades não os excluem, bem ao contrario, de uma função moral e social determinante de serem porta-vozes deste povo que os adula. Infelizmente, salvo raras exceções citadas (Na Bahia pode se citar com orgulho o jornalista Raymundo Varela no seu programa diário "Balanço Geral" da TV Record), ninguém com posição pública se preocupa muito com esta responsabilidade cívica para formular opiniões ou denunciar o sofrimento da Nação, porque não se sentem concernidos.

Não é de se admirar que este desaparecimento de estruturas morais, a ignorância das regras e a despreocupação com a cidadania afeta tanto nossa juventude, cortejada pelas drogas e o alcoolismo. Na realidade suas atitudes de rebeldia e de violência traduzem perfeitamente a recusa dialética, progressiva e positiva à questão da identidade que tanto os inquietam... Ou será que nosso mundo não é bom mesmo e que vamos despertar para a irônica e alarmante verdade de que nossa sociedade, dita democrática, transformou-se em um teatro de "Grand Guignol".

 

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