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Os Revoltosos de 1926

Postado por Colunistas Independentes em 20.01.2012

Por: Adalberto Prates
Janeiro de 2012

COLUNA PRESTES

 

 

LUÍS CARLOS PRESTES

 

Uma organização com 1.500 militares fortemente armados, percorreram 25.000 km pelo Brasil, contra o governo de Artur Bernardes.

Neste governo, o estado de sítio era constante e havia restrições nos direitos individuais, limitação do habeas-corpus, censura a imprensa e os crimes políticos eram imprescritíveis.

Os militares tramaram-se contra, e um grande articulador, o general Isidoro Dias Lopes, comandou uma revolução em 5 de julho de 1924, em São Paulo, sem sucesso por absoluta impossibilidade em mantê-la. Posteriormente deslocou-se dali com o seu Grupo para outros estados, Mato Grosso, Paraná, etc.. Tendo no dia 29 de outubro do mesmo ano, dita revolução estoura no Rio Grande do Sul, época em que o capitão Luís Carlos Prestes que já estava pronto para abandonar o Exército na intenção de aderir o Grupo revolucionário, formou o seu grupo que mais tarde ficou conhecido pelo nome de Coluna Prestes, e deslocou-se em direção ao encontro com o dito Grupo, e encontraram-se de fato em Santa Helena, um porto do Rio Paraná. Neste encontro entre Carlos Prestes, Miguel Costa, Juarez Távora, Djalma Dutra, Paulo Kruger, major Ari Salgado Freire, Cordeiro de Farias, João Alberto, capitão Siqueira Campos, tenente Leopoldo Ribeiro Júnior, tenente Brasil, major Lira, dentre outros, decidiram prosseguir a Coluna formada pelo capitão Luís Carlos Prestes, natural de Porto Alegre (RS), nascido no dia 3 de janeiro de 1898.

No trajeto dos 25.000 Km pelos 12 estados brasileiros, chegou em nossa comunidade no alto sertão da Bahia.

Na celebração da Missa do mês de Maria em Ituaçu, no dia 4 de maio de 1926, às 11 horas da manhã, entraram de surpresa mais de 1.000 militares com muitos animais de cargas e montados a cavalos com voz de toques de cornetas impondo aviso e ordem, causando admiração e medo a quem viu aqueles militares pondo sentinela nos pontos estratégicos daquela cidade. Um grupo ocupou o Quartel da Policia Militar, onde o próprio Prestes soltava presos, queimava livros, rasgava várias intimações, rasgava processos de torturas e de dívidas públicas, destruindo até palmatórias escolares.

Outro grupo dominava a Praça da Matriz. Todavia, em reverência aquele dia religioso do mês de Maria, deixaram os fuzis em armação militar diante da Igreja, e assistiram o final da missa, ao tempo em que outro grupo comandado pelo tenente Leopoldo Ribeiro Júnior, telegrafista daquela Coluna, ocupou a Agência dos Correios e Telégrafos, onde o responsável daquela Repartição, o Sr. Magalhães, morava com sua família. Danificou a mesa do Morse a golpes de coices de Fuzil, cortaram os fios telefônicos, e apreenderam os carretéis das fitas para que ficasse totalmente isento de comunicação.

Prestes fazia pregações dos seus ideais, que veio na intenção de conquistar aliados e não em dar combate armado.

Aconselhava as famílias a não deixarem suas filhas saírem a rua para evitar ofensas.

Mas, na verdade o sertanejo sofreu, obrigando-se em viver as escondidas pelo matagal com suas famílias com trouxas pela cabeça, que só em alguns dias depois, voltavam espiando e desconfiados a perguntarem: "cadê, os Revoltosos, já foram embora?".

Um antigo morador de Ituaçu, o capitão Firmo da Silva Pires, muito rico e sovina, combinou com o capitão Macário Alves Aguiar que morava ao lado em um casarão de piso de chão batido, para ali enterrar seus pertences para evitar de serem levados pelos Revoltosos. Assim fez. Enterrou ali muito dinheiro e outros pertences, e ficou sempre passando por ali, certamente vigiando sua fortuna enterrada. Ao ver um dia, os Revoltosos tomando cafezinho naquele casarão, sentiu-se mal e acometeu-se de uma terrível diarréia. Mas, desta vez livrou-se porque os Revoltosos não descobriram que ali estava enterrada a fortuna do sovina.

Na madrugada antecedente a entrada armada em Ituaçu, era uma época de muita enchente devido as constantes chuvas. Para que os atravessassem o Rio de Contas, pegaram de surpresa um canoeiro de nome Aprígio para que os atravessassem em sua canoa. No vai-e-vem da travessia, por um simples descuido deles, o canoeiro jogou alguns fuzis dentro do Rio, e se aprofundou em mergulho livrando-se deles, e dias depois voltou ao local e pegou os fuzis e os vendeu para o coronel Minervino Dias, em Sussuarana.

Na comunidade de Laços, quem mais sofreu foi uma mulher de nome Odília (de Joca), que na fuga para o matagal entre outros companheiros, caiu em um buraco com uma trouxa na cabeça e ninguém se atreveu em parar um pouco para prestar-lhe socorro. O que todos queriam mesmo, era em se aprofundar o mais rápido possível para o esconderijo no matagal. O que não se sabe é como ela praticava suas necessidades fisiológicas do dia-a-dia, além da sensação sofrida pelo medo.

Naquela comunidade ocorreu desentendimentos entre os Revoltosos e alguns moradores.

Em sua passagem por Caraibuna, então Distrito de Ituaçu, Prestes sofreu enorme decepção ao mandar um portador a Mucugê, convidando Horácio de Matos para aderir ao seu Grupo de Combate ao governo de Artur Bernardes, e o convite não foi aceito. Sem que Prestes pensasse no que lhe poderia acontecer, resolveu ir pessoalmente com o seu Comando, na tentativa de conseguir aquela adesão que antes lhe fora negada.

O arrependimento certamente lhe bateu a porta, diante do confronto organizado por Horácio de Matos, sediado em Lençóis contra o seu comando, lhe deixando um saldo de 22 dos seus militares assassinados, inclusive uma mulher que entrou em Mucugê, montada a cavalo fortemente armada atirando para todos os lados, tendo sido ela a primeira a receber balas trocadas com os jagunços de Horácio de Matos.

Quanto à decepção sofrida por Prestes, Horácio pagou mais tarde com a mesma moeda, ao ter sido preso traiçoeiramente pelos integrantes do governo, no desarmamento ocorrido em 1930, deixando Horácio de Matos enfraquecido e os diamantinos órfãos da proteção armada.

Dalí, Prestes, deslocou-se rumo a Condeúba, e de lá voltou a Tremedal dos Ferrazes e seguiu para Caculé e Caetité, onde encontrou resistência organizada pelo coronel Alberto Lopes da Polícia Militar e pelo Juiz de Direito, Dr. Batista Neves.

Prestes tendo sido senhor de duas famílias, foi preso em março de 1936, juntamente uma delas, "Olga Benário", alemã que pertencia ao Partido Comunista daquele país. "Quem mais sofreu", diante do seu estado adiantado de gravidez, na prisão deu a luz sua filha Anita, no dia 27 de novembro do mesmo ano, quando lhe foi entregue a sua avó paterna Leocádia Pereira Prestes. Para tanto, sua avó promoveu enorme campanha para que lhe fosse entregue sua neta Anita Leocádia Prestes.

Olga Benário, veio a falecer em abril de 1942, em uma câmara de gás pelos nazistas.

Em 1951, Prestes conheceu sua segunda companheira de nome Maria, pernambucana, mãe de dois filhos: Pedro e Paulo. Com Prestes nasceram mais sete filhos: João, Rosa, Ermelinda, Luís Carlos, Zóia, Mariana e Yuri.

Carlos Preste conviveu com Maria, durante 40 anos, separando-se pela sua morte no dia 07 de março de 1990.

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