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José Walter Pires

José Walter Pires é advogado, professor e cordelista. Escreve esporadicamente para o Jornal Tribuna do Sertão.

A LENDA ESTÁ VIVA!

Postado por José Walter Pires em 18.03.2010

Assisti em um dos cinemas do Shopping Salvador, no penúltimo sábado de fevereiro, o filme "O Lobisomem", numa versão do clássico original de 1941, com filmagem ambientada na Inglaterra Vitoriana, em lançamento para o ano em curso, numa magistral produção para quem gosta desses temas, com é o meu caso.

Tão logo fiquei sabendo da exibição não titubeei em ir vê-la, por razões que todos já conhecem que é ser lobisonólogo, assessorado pelo amigo Deba, lá do rio do Antônio, e outros tantos simpatizantes do assunto.

Quando escrevi o cordel "Na trilha do lobisomem", teorizando sobre o desparecimento do "Wolf man", para usar a expressão do filme, se bem que prefira a minha, "homo lupus", não me fixei muito na origem desse fato ou lenda, como quiserem, que é inglesa, nascida de uma tradição cigana, revestida de todos os mistérios sobre a assustadora transmutação.

Enquanto o filme se desenrolava, pude perceber que as características genealógicas do lobisomem inglês e do nosso, em fase de extinção, não são tão diferentes, o que me faz acreditar numa mesma procedência, ainda que o comportamento possa não ser o igual nas suas circunstâncias. Isso pouco importa. O que importa mesmo é a dúvida que possa nascer daí: Existe ou não existe? Ora, se há dúvida, persiste a possibilidade da existência.

Vejamos algumas semelhanças: ambos nascem de uma transformação, não de uma degenerescência genética; o encantamento nunca se acabará; sempre que houver contato de um lobisomem com um ser humano, resultando um ferimento à altura do pescoço, significa que outro lobisomem nascerá; a transformação acontece sempre à meia-noite de uma sexta-feira, se for da Paixão, melhor ainda, em plena lua cheia; Ambos se esgueiram pelas sombras da noite; Ambos urram; Escondem-se nas florestas. A diferença é no tamanho. O nosso tem menor estatura. Talvez pelo nosso biotipo. O inglês é mais avantajado. Gigantesco. Olhos esbugalhados, em brasa; boca com presas escancaradas, imensas; garras enormes, pés descomunais; todo corpo coberto de pelo negro, intenso, além do furor e rapidez nos ataques.

Mas, prudência sempre é bom. Não acreditem que os nossos sejam inofensivos. De onde não se espera é que sai. Menosprezar essa possibilidade não é aconselhável, em caso de algum encontro. Na ocorrência, melhor usar alguns dos expedientes que a experiência do catingueiro ensina: use um crucifixo, dente de alho, muita oração em nome de Jesus e Maria, latas encostadas nas portas, caso existam meninos pagãos em casa. Armas não fazem efeito. Somente bala de prata e o amor de uma mulher podem amenizar a fúria do peludo. Nada mais tem o poder do desencantamento.

Contudo, continuo com a minha intenção de um safári para ir ao encontro de um. O desejo é só o de capturá-lo para uma clonagem. Não sei se posso realizar esse intento. Por enquanto, vou vivendo dos relatos, dos bate-papos culturais, das informações por onde passo, pois, jamais vi um pessoalmente.

Bem, quem quiser saber mais sobre esse palpitante assunto é só pesquisar. Os dois ramos do conhecimento são a "Licantropia" e "Criptozoologia". Existem outras fontes. Busquem na internet e me informem o resultado das pesquisas para enriquecimento dos meus arquivos científico e popular.

 

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