José Walter Pires
José Walter Pires é advogado, professor e cordelista. Escreve esporadicamente para o Jornal Tribuna do Sertão.
PROSA SÉRIA
Postado por José Walter Pires em 04.10.2009
Lá da cultural Rio do Antônio, o meu amigo e anfitrião Deba, com a sua costumeira gentileza, telefona-me, perguntando se recebi o seu último e-mail. Respondo-lhe que não, acrescentando que as nossas comunicações, por esse "meio" não têm sido bem sucedidas. Não recebo os dele e ele não recebe os meus. Existe uma incompatibilidade, que não é de gênios, que ainda não superamos, e isso desatualiza o nosso bate-papo. (Peraí que vou olhar se, ainda, tem o hífen). Tem, segundo o Professor Pasquale. Mas que esse hífen é o vilão dessa nova ortografia, lá isso é. Deixando essas questões para lá, vamos ao que nos interessa no prosear, eis a solução tão rápida, corriqueira e própria para o momento.
- Alô!
- Alô, diga meu amigo Deba (nem precisou se identificar), que novidade boa.
- E é novidade mesmo. Você se lembra do lobisomem de Rio do Antônio, história que já foi editada num livro do MEC?
- Claro que me lembro. Nunca me esqueço dessas histórias.
- Pois é, o autor, Ricardo Azevedo, acaba de publicar um livro, intitulado "A hora do cachorro louco", cujo protagonista é o lobisomem de Rio do Antônio.
- Deba, que notícia alvissareira. Por essas e outras é que não me canso de dizer que a existência desse peludo não é folclore, lenda ou o que o valha. É verdade mesmo, em que pese os descrentes de plantão.
- Então, mantive um contato com ele, falando dessa nossa especialidade e do que já escrevemos sobre o assunto. Ele ficou muito interessado e quer receber a nossa literatura.
- Claro que vamos mandar. Adeptos serão sempre bem-vindos.
-E o homem não é qualquer um não. É escritor de renome. Entre no site dele e você verá.
- Passe aí, Deba, vou fazer esse contato imediatamente. Já temos mais um em Montes Claro. Chama-se Adalberto Lima. Diz ter visto um, quando passou por aqui, esgueirando-se pelos vagões da Leste Brasileiro, nas imediações da estação. Isso já faz muito tempo. Daí nasceu a nossa amizade. Dário Cotrim o conhece.
- Pois quero que você me mande uns exemplares da "Na trilha do Lobisomem", "A História do Bode Berrador" e "Porque sumiram os lobisomens", para enviar para ele.
- Tá bem, Deba, mande um portador pegar aqui. Vou deixar separado. Aproveitando vou mandar os cordéis mais recentes que escrevi. Já não faço outra coisa.
- Mande mesmo.
- Vou lhe contar outra novidade. Hoje vai ser inaugurado um Shopping Center aqui em Brumado!
-Shopping - não acredito - quem teve essa idéia?
- Newton Cardoso. E olhe que não é coisa pequena não. O negócio é grande. Nem em Vitória da Conquista tem igual. Estiloso, amigo. Bem que você podia vir para a inauguração.
- Era mesmo. Mas ando meio troncho de saúde. Senão eu iria.
- Também ando assim. Tô criando um tal de pássaro chamado "condor", que está me atormentando. Sinceramente, não merecemos isso, logo agora, na "mal-dita" melhor idade, não é?
- Pois é, Zewalter, isso não devia acontecer .
- Não mesmo. Vou preparar a remessa. Mande um portador.
- Mando sim. Ou então passo aí no próximo domingo.
- Melhor assim. Estou esperando.
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