José Walter Pires
José Walter Pires é advogado, professor e cordelista. Escreve esporadicamente para o Jornal Tribuna do Sertão.
BALANÇO GERAL
Postado por José Walter Pires em 20.01.2012
Ainda que temporão, vou fazer o balanço do ano que se foi, mas sem promessas ou previsões para o que se inicia. Isso me deixa livre da sensação de culpa caso não possa cumpri-las. Irei ao diapasão do "laissez-faire".
Pois bem: de 2011, não tenho queixas. A não ser das minhas renitentes sete dores, saí incólume. Não morri nem desejei fazê-lo. Também os entes queridos mais próximos não foram acometidos desse despropósito fatídico. Outros da minha relação que se foram, guardei-os na memória, enquanto dure, pois a vida é um eterno vir a ser. Mas, deixemos para lá essas referências melancólicas e vamos ao que interessa aos vivos.
Na vida familiar, convivência normal. Minha mulher e filhos que o digam melhor do penso ou sinto. Desde o casamento até agora são quase quarenta anos. Portanto, nos aceitamos mutuamente e entre uma rusga e outra continuamos juntos. Contudo, valeu a pena! Ah! O casamento do filho, quase celibatário, no Rio de Janeiro, em maio, com uma adorável carioca, numa festa memorável, foi o destaque.
No plano pessoal, algumas conquistas e realizações. A minha literatura de cordel deslanchou. Pelos menos umas quinze edições, inclusive com lançamentos em Brumado e Salvador, com realce para o cordel biográfico sobre Hermes Lima, vulto regional que galgou os degraus da glória, como jurista; um título de cidadania brumadense, uma moção de aplausos da Câmara de Ituaçu; algumas participações em encontros culturais, algumas palestras educativas e empresariais; contatos com diversos cordelistas de outros estados, com discussão da tese sobre o cordel contemporâneo, participação em saraus literários, troca de correspondências com alguns intelectuais, várias entrevistas sobre assuntos de interesse comunitário; viagem familiar e cultural a Recife, participação em Congresso de Advogados, em Curitiba; resisti, heroicamente, a sala de aula, numa convivência pouco produtiva com alunos, muito jovens, que não estão nem aí para o futuro que delineamos para eles em moralísticos serões pedagógicos. Mais um cordel biográfico no prelo, desta vez sobre Mário Rizério Leite, médico brumadense, radicado em Goiânia até que lhe adveio a morte; por último, já finalzinho de dezembro, viagem à progressista Montes Claros, à convite do então Presidente, Dário Cotrim, onde recebi o Diploma de Sócio Correspondente do glorioso Instituto Histórico e Geográfico, em sessão solene, na sede da AABB daquela cidade, sob as prerrogativas do Estatuto da Casa Simeão Ribeiro Pires. Viagem a Salvador para o Réveillon com os filhos e amigos de lá.
Profissionalmente, sem maiores novidades. Vivo nos limites das próprias escolhas, porém atento às mudanças e os seus reflexos para o exercício do meu labor. Já vislumbro uma carreira solo,fazendo o que quero e gosto, na hora que quiser. É o que o Sociólogo italiano Domenico de Masi chama de "ócio criativo", trabalhando e produzindo prazerosamente, para fugir aos apelos do mundo capitalista. Será que consigo?
No mais, o fluir do intangível tempo. A rotina do dia a dia. Os inevitáveis encargos da vida moderna. As leituras. Os amigos, muitos amigos, nas diversas circunstâncias. A luta com os meus joelhos para não se enferrujarem antes da hora. Os queixumes dos meus bissextos. Os desafios para preservar os meus valores pessoais, profissionais, culturais e familiares. Não fui egoísta em nada. Compartilhei emoções e sentimentos. Enfim, exercitei a compreensão de que posso ser útil e semear solidariedade para a construção de um mundo melhor. Ainda é tempo, com certeza.
Portanto, posso fechar o meu balanço com um saldo positivo em 2011. Que venha 2012 para fazê-lo verdadeiramente Ano Novo!
José Walter Pires
Janeiro/ 2012
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