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José Ribamar Viegas

José Ribamar Viegas é maranhense, reside em Brumado e escreve crônicas para o Jornal Tribuna do Sertão. Ultimamente esteve sumido por conta da dedicação ao livro "Acredite se quiser", de sua autoria, lançado em 2009.

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Postado por José Ribamar Viegas em 29.11.2009

Não sei se ainda é sobejo da colonização holandesa que aconteceu por lá, só sei que o Ceará é o estado do Nordeste onde as evidências de preconceito racial ainda são muito notórias. - Imaginem há 55 anos atrás!...

Pois, bem. Um dos políticos mais inteligentes e respeitados do Ceará foi Menezes Pimentel. Contudo, Menezes era baixinho, atarracado e quase preto.

Em plena ditadura do governo de Getúlio Vargas, por volta de 1945, não havia governador de Estado, havia interventor nomeado pelo Presidente Ditador. E Menezes Pimentel, por conta de sua competência e da sua postura de parlamentar conciliador, fora nomeado para o cargo de interventor do Ceará.

Ao montar sua equipe de trabalho, talvez para agradar os brancos remanescentes do regime Imperial, tidos como "sangue azul", Menezes Pimentel nomeou, para Chefe da Casa Civil, um luso brasileiro de muita desenvoltura no desempenho das funções burocráticas, contudo, de um raciocínio predominantemente lusitano. O homem não pronunciava copo d'água (para ele copo é de vidro, de alumínio...), dizia copo com água, ou seja, tudo religiosamente ao pé da letra.

Naquela época, mesmo com obediência imposta pelo regime ditatorial, havia uma pontinha de preocupação na sede do Governo Federal quanto a nomeação de Menezes Pimentel para o cargo de interventor do Ceará. Afinal tratava-se de um homem de cor escura que iria "governar" um Estado, onde as evidencias de preconceito racial eram gritantes. Tanto que o próprio Vargas recomendara sempre uma segurança reforçada para proteger o novo interventor em aparições públicas.

Quando surgiu o boato no Rio de Janeiro que o interventor Menezes Pimentel havia sofrido um atentado e teria levado vários tiros de armas de diversos calibres, a comoção tomou conta de todos no Palácio do Catete, sede do Governo Federal. A noticia ecoou como uma bomba para Getúlio Vargas que se reuniu imediatamente com o mais alto escalão do seu governo para determinar uma intervenção armada no Ceará. Precisava apenas de uma oficialidade daquela cruel notícia.

Naquele tempo, as comunicações telefônicas praticamente não funcionavam em grandes distâncias no Brasil e, de imediato, o Chefe da casa Civil da Presidência da Republica tratou de enviar um cabograma pela Western Telegraph, para Fortaleza, com os seguintes dizeres: "Informe urgente se Interventor Menezes Pimentel foi alvejado". O português, Chefe da Casa Civil do Ceará, desconhecendo o trocadilho da palavra alvejar, não pensou duas vezes e respondeu mais ou menos nestes termos: "Interventor Menezes Pimentel não foi alvejado. Continua preto."

(Estive ausente deste Semanário para dedicar ao meu livro - ACREDITE SE QUISER - lançado no último dia 17, em Brumado - BA).

 

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