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Fabiano Cotrim

É professor e atualmente diretor do Instituto de Educação Anísio Teixeira em Caetité. Membro da Academia Caetiteense de Letras (cadeira Luís Cotrim), Mano, como é conhecido, gosta mesmo é de escrever poesias. Desde os tempos de Maurício Lima, ainda batucando na sua velha Olivetti Lettera 32, colabora com o Jornal Tribuna do Sertão, sempre nos mandando crônicas.

Mulheres...

Postado por Fabiano Cotrim em 18.03.2010

Já disse, e repito, que não gosto desse negócio de dia disso, dia daquilo e o escambau. Acho uma grande tolice querer homenagear alguém que vive conosco o tempo todo em um só dia, como se nos outros tantos, muitas vezes estafantes, não fosse também boa hora para homenagear quem merece homenagem. Mas hoje, oito de março de dois mil e dez, é o dia internacional da mulher, e nesse caso eu abro exceção, que mulher é ser especial.

Louvo e reverencio, saúdo e abraço, beijo e faço dengo em todas as mulheres do mundo nesse dia, com todo respeito, é claro, pois elas merecem todas as honras, todas as glórias. Vivendo aqui nesse sertão profundo então, tenho motivos sobrando para tanto aplauso e júbilo. È que as mulheres desse pedaço de chão, seu moço, são retadas demais. Fazem da vida uma lição de coragem e superação que fica até difícil descrever, o camarada tem é que ver para acreditar.

Vou dar só um exemplo, que é para não dizerem que papel aceita tudo, que falar é fácil. Imaginem os senhores que a essa hora, logo ali na Comunidade do Barreiro, uma mãe está saindo para buscar a água que saciará a sede e as outras necessidades líquidas da sua família. O poço é fica perto. Mas a água de lá está contaminada. A mulher de quem falo, nessa hora pensa e sofre. Não há outra fonte. Ela vai, pega a água que sabe perigosa, volta e se põe a fervê-la. Outras receitas também ela aplicará: folhas, raízes, processos ancestrais. Ainda assim, ainda que o veneno esteja dissolvido e invisível, ela, quando enfim servir aquela água para a sua gente, fará com que não sofram ao bebê-la. Dirá palavras de distração, de esperança, de resignação, mas fará alguma coisa, se valerá de estratégias que só às mulheres são dadas, e transformará a cena em amor e proteção.

E também a essa hora, outras existem que estão fazendo milagres.

Muitas bocas, pouco pão, e lá vão elas multiplicá-lo com sutis atitudes. Um caldo, um pirão, um mingau ralo, mas tudo saboroso, tudo temperado com uma paixão e entrega que só às mulheres é dado saber. E há ainda nesses campos, seu moço, mulheres empreendedoras. Daquelas capazes de tirar e vender leite de pedra para fazer dinheiro, e desse dinheiro fazer a estabilidade e o futuro da sua família.

Cada mulher forte e corajosa que tem por essas bandas que é como eu digo, não adianta falar, o camarada tem é que ver. E se ele der sorte, muita sorte, pode até achar uma dessas que se engrace com ele. Que lhe ame para a vida toda e seja capaz de passar com ele por uma vale repleto de quiabento sem deixar que nenhum espinho sequer lhe arranhe. Sim, que as mulheres do sertão amam de verdade, amam pra valer e é preciso merecer tanto amor, que elas também não estão mais no tempo de amar sem ser amadas. Não, aqui não proliferam as Amélias do cancioneiro. Elas, as mulheres do sertão, estão mais é para Maria Bonita, altivas, guerreiras.

Então cantemos esse dia de todas elas. O dia internacional da mulher? Que seja. Rosas e dálias, lírios e crisântemos, orquídeas e violetas.

Flores, muitas e delicadas. Pétalas. Toneladas de pétalas. Tantas e tão formosas sejam todas elas, suficientes para esse dia e para todos os outros, para que no ano todo possamos fazer uma trilha colorida e perfumada, só para passar as mulheres do sertão, as mulheres do mundo todo...

 

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