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Fabiano Cotrim

É professor e atualmente diretor do Instituto de Educação Anísio Teixeira em Caetité. Membro da Academia Caetiteense de Letras (cadeira Luís Cotrim), Mano, como é conhecido, gosta mesmo é de escrever poesias. Desde os tempos de Maurício Lima, ainda batucando na sua velha Olivetti Lettera 32, colabora com o Jornal Tribuna do Sertão, sempre nos mandando crônicas.

O triste fim do louro do Hotel Baiano...

Postado por Fabiano Cotrim em 25.07.2010

Vou dar logo a notícia, sem mais rodeios, que é para ver se amenizo o impacto da perda: Morreu, no último dia vinte, um conhecidíssimo personagem da vida caetiteense, o louro do Hotel Baiano. Pode ser que muitos não o conhecessem, tão variada e numerosa vai se tornando a nossa população. Mas com certeza quem é daqui de verdade, quem mora nessas terras há muito tempo, saberá dizer alguma história sobre o falecido. Ele ficava lá, empoleirado na porta do Hotel, Dona Rosa sempre a lhe fazer companhia. Bravio, não era de muitos amigos, chegando até a bicar com força um e outro que se aventurava a tomar boca com ele, ou mesmo querer coçar a sua cabeça, dizer gracinhas, essas coisas que todos gostamos de fazer com os louros da vida. De tal forma se incorporou ao cenário da Praça da Catedral o louro que se foi no último dia vinte, que já era parte daquele lugar. Bonito, falante que só ele, muito bem cuidado, o louro do Hotel Baiano, por exemplo, viu passar sob o seu poleiro gerações de estudantes matriculados na escola Senador Ovídio Teixeira. Se de alguns chegou a gostar, não sei, mas sei de ver e ouvir falar que de muitos ele não gostava mesmo, não sendo raro deixar escapar palavras mais ásperas para um ou outro.

E morreu tragicamente o bichinho tão querido. Afogado em uma vasilha d'água que lhe serviu tantas vezes de banheira. Uma pena, uma lástima, para os seus donos uma perda irreparável. È que o louro do Hotel Baiano, quando ficava muito nervoso e agitado como só os louros domesticados sabem ser, era logo botado para tomar banho, como medida relaxante. Da última vez não deu certo e ele se afogou. Triste fim para um ser que só deu alegria ao mundo. Todos da vizinhança sentiram muito o seu passamento, todos os caetiteenses mais antigos lamentam a sua perda. Mas é da vida, o que se há de fazer. Agora resta o poleiro vazio, e um vazio incômodo quando passamos ali, onde por tanto tempo reinou a presença verde e amarela e falante do louro do Hotel Baiano. E era um louro erado, não sei quantos anos já vividos, mas foram muitos. Se bem que os louros vivem que é uma beleza, e para a idade dos louros esse que nos deixou bem que poderia ser considerado jovem ainda. De todo modo, peço agora licença para quem considere heresia pedir bênçãos para os animais queridos que partem desta para melhor e peço aos céus que recebam bem o louro do Hotel Baiano, que não fez outra coisa no mundo a não ser distribuir alegria e aconchego para quem conviveu com ele, de perto ou só de passagem. Que descanse em paz o nosso velho conhecido, que encontre a paz aquele verdadeiro caetiteense, ainda que emplumado...

27/06/2010

 

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