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Fabiano Cotrim

É professor e atualmente diretor do Instituto de Educação Anísio Teixeira em Caetité. Membro da Academia Caetiteense de Letras (cadeira Luís Cotrim), Mano, como é conhecido, gosta mesmo é de escrever poesias. Desde os tempos de Maurício Lima, ainda batucando na sua velha Olivetti Lettera 32, colabora com o Jornal Tribuna do Sertão, sempre nos mandando crônicas.

Vale-feira

Postado por Fabiano Cotrim em 18.06.2010

Embora os candidatos ainda neguem, talvez como ensaio para o que virá, estamos em plena época eleitoral. É inauguração disto e daquilo, é encontro aqui e acolá, enfim, campanha eleitoral das grandes. Deputados, senadores, governadores e o supra-sumo, a mãe de todas as campanhas que é a presidencial. E logo, logo, não tem jeito, estaremos nós ouvindo, de novo, a cantilena repetida a exaustão pelos políticos profissionais, que não são bobos nem nada: melhorar a educação pública, as estradas, a saúde, construir pontes, aumentar a taxa de emprego, cortar impostos, e tudo de bom que houver nessa vida que político, vocês sabem, só falam em maravilhas, em delícias...

Acontece que todo esse papo não convence mais ninguém, de batido que está, de velho que é. Pensando nisto e também querendo contribuir para a renovação nas campanhas da nossa pátria é que eu, humildemente, venho oferecer, na base do zero oitocentos, uma sugestão a todos os candidatos nesse pleito varonil que se aproxima. Não, não vou cobrar nada por isto. Não, não estou engajado na campanha de a ou de b. Simplesmente ajo imbuído por um patriotismo a la Dunga e ofereço aos políticos do meu país uma nova e poderosa argumentação para arrebanhar votos e enternecer corações. Trata-se do incrível, mirabolante, supimpa e genial vale-feira!

Sim, isto mesmo senhoras e senhores. Uma idéia nascida aqui, vitaminada como um coquetel de urânio, inovadora, revolucionária. Nada de simples bolsa-família, bolsa-isto ou bolsa-aqueloutro. Não. Chega de bolsas, isto já não cola mais, isto já existe, já foi feito. O vale-feira é muito mais do que tudo isto. Faz sonhar, permite tecer todas as ilusões. Afinal, a feira de cada um varia, o conceito de feira de cada um é muito flexível, para dizer uma palavra sempre na moda. O candidato só tem de prometer a quimera, o resto é com o incauto eleitor. Eu conheço gente que inclui a cerveja na sua lista de feira. Outros não a admitem sem um bom vinho, mas há aqueles que não podem pensar em feira sem lembrar das tentadoras prateleiras de um bom supermercado. Enfim, feira, meus amigos, cada um imagina a sua como bem quiser...Essa é a beleza da idéia, senhores candidatos, senhoras candidatas. Chega de dizer que melhorarão a saúde, a segurança, a educação, as estradas... Não, esqueçam essas coisas que ninguém agüenta mais ser prometidas. O negócio quente nessa temporada de caça aos votos, a bola da vez, creiam, é o vale-feira. Assim, genérico, amplo, largo. Digam a palavra mágica, vale-feira, e estarão eleitos.

E de mais a mais, candidatos do meu Brasil, a coisa funciona e ponto. Duvidam? Pois eu posso provar...

 

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