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Fabiano Cotrim

É professor e atualmente diretor do Instituto de Educação Anísio Teixeira em Caetité. Membro da Academia Caetiteense de Letras (cadeira Luís Cotrim), Mano, como é conhecido, gosta mesmo é de escrever poesias. Desde os tempos de Maurício Lima, ainda batucando na sua velha Olivetti Lettera 32, colabora com o Jornal Tribuna do Sertão, sempre nos mandando crônicas.

Gato escaldado tem medo de água suspeita...

Postado por Fabiano Cotrim em 16.04.2010

Mas será o Benedito? Não é que a Comissão Nacional de Energia Nuclear contestou o Instituto de Gestão das águas e do Clima? Disse a CNEM, com todas as letras e ainda com chistes, que a água dos poços antes lacrados pelo INGÀ não estão contaminadas, que são boas para o consumo e que não causam mal nenhum à saúde? E agora? Em quem acreditar? Beber ou não beber das águas lá dos poços das comunidades de Barreiro e adjacências? Temos nós, os críticos do processo de extração e beneficiamento de urânio aqui na terrinha, que pedir desculpas? Sei não, mas gato escaldado tem é medo de água fria, que dirá de água suspeita...

Contudo, não há como negar a autoridade da CNEM no assunto, assim como não se pode acreditar que um órgão do governo estadual, com a chancela óbvia do próprio Governador da Bahia tenha cometido uma barbeiragem desse tamanho deliberadamente. Em meio ao impasse nós, caetiteenses, somos mais uma vez ridicularizados pela mídia nacional, estadual e quiçá internacional. Mas uma questão permanece em aberto: estão ou não estão contaminadas as águas que o governo do estado disse, há pouco, contaminadíssimas?

Para saber mais, fui ao endereço na internet das duas instituições na noite do dia 06 de abril desse 2010, e, para minha surpresa, nem em um e nem em outro endereço, nada. Nadica de nada sobre o assunto. Site do governo do estado da Bahia, nada também. Mas deu na revista Veja, deu em muitos outros canais: CNEM desmente INGÀ. Até o ex-governador Paulo Souto aparece criticando o governo Wagner, chamando de irresponsável o INGÀ e por tabela o governo da Bahia. Em meio a esta confusão, ficamos sabendo que a nossa Prefeitura já gastou R$ 170.000,00 (cento e setenta mil reais!) somente para abastecer as comunidades que tiveram os poços lacrados. Achei dinheiro demais, mas quem sou eu para contestar os números oficiais, ainda mais depois que os órgãos oficiais apareceram batendo cabeça em um assunto tão delicado.

Fica então o dito pelo não dito? Tenho uma humilde sugestão para esclarecer de vez a pendenga: o pessoal da CNEM deveria aparecer em público bebendo copos cheios das águas que afirmam limpas e próprias para o consumo humano. Pronto. Assim ninguém poderia ter mais dúvidas sobre o assunto, pediríamos desculpas pelas críticas feitas, e tudo se resolveria a contento. Mas quando eu falo beber água, falo em beber água por um bom tempo, tomar banhos com essa água, molhar as plantas com essa água, consumir os frutos dados pelas plantas molhadas com essa água para provar de verdade que ela não faz mal a seu ninguém...

 

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