Dário Cotrim
DÁRIO TEIXEIRA COTRIM baiano de Guanambi. Historiador, membro fundador do Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros e membro efetivo do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais. Sócio efetivo da Academia Montesclarense de Letras e atual Diretor Geral da Biblioteca Pública Municipal de Montes Claros.
O CAMINHO REAL NO SERTÃO BAIANO
Postado por Dário Cotrim em 28.02.2010
De Vila de Albuquerque ou Vila Rica (Ouro Preto) para a cidade de São Salvador (Salvador), o caminho que levava o "metal amarelo" para a coroa portuguesa, iniciava pelas margens do rio das Velhas (antigo Rio das Abelhas), até a Barra do Guaicuí, no rio São Francisco. A viagem deste ponto do rio até a Biguara ou Malhada do Porto de Santa Cruz (Malhada) era tranqüila e rápida, pois as corredeiras do rio tornavam-se motor propulsor que impulsionava os diversos barcos carregados de pessoas e animais rio abaixo. Até aqui a viagem era feita pelas águas dos rios. Mas, daqui pra frente, as tropas de mulas cargueiras enfrentavam as veredas sinuosas do sertão em busca da Chapada Diamantina, com muitas dificuldades.
De Malhada do Porto de Santa Cruz o primeiro pouso era na fazenda do capitão Tomé Nunes, onde a caravana-real ficava por pouco tempo. Na seqüência, a fazenda Juazeiro, Venda e Boca da Caatinga até chegar à fazenda Curralinho para um descanso maior e com muito mais conforto. Desse ponto vai até a fazenda da Passagem, da Barra, da fazenda do Mija-Fogo, Marreco, Bem-se-vê e Campinas para, então, chegar à Vila de Nossa Senhora Mãe de Deus e dos Homens de Monte Alto (Palmas de Monte Alto),
Na segunda etapa do caminhada, a caravana-real levantava cabana ainda no escuro. Tinha á frente o belíssimo bloco de pedras denominado de Três Irmãos, onde a tropa repousava para um lauto café da manhã. Era preciso enfrentar o sol escaldante da caatinga. Por isso uma parada rápida em Paga Tempo com destino à fazenda Capim da Raiz. A viagem prossegue por Boqueirão, Boa Vista e Brejo com parada obrigatória na fazenda da Gameleira. O movimento comercial ali em Gameleira já era intenso haja vista a presença de padres recolhidos no Hospício por força de lei criada por Marquês de Pombal, em 1760. Do Hospício passava-se pela fazenda Escadinha e chagava-se na Vila Nova do Príncipe e Santana de Caetité (Caetité). Aqui termina a segunda etapa da viagem da caravana-real.
A terceira etapa da caminhada iniciava na Vila Nova do Príncipe e Santa de Caetité. Desse ponto passava-se na fazenda Santa Bárbara, e daí, numa estica longa até a fazenda Lagoa Grande para o descanso dos animais. Na seqüência, a viagem tornava-se custosa, tendo em vista os caminhos íngremes que eram enfrentados pela caravana-real. Uma parada mais longa se fazia na fazenda Lagoa do Timotheo depois de passar por Brejo Sujo, Quebradas e Juazeiro. Em Lagoa do Timotheo já existia a Igreja de São Timóteo que é considerada uma das mais velhas do interior do Brasil, juntamente com o com a Igreja de Parateca (Parei-atécá) e a outra em Morrinhos (Matias Cardoso). De Cacimbas, Salitre, Cova de Mandioca até a fazenda do Tabuleiro havia uma trégua para os animais, tendo em vista a abundância de água e a existência de melhores pastos. Todavia, desse ponto em diante a viagem tornava-se angustiante e ao mesmo tempo gratificante. Angustiante pela dificuldade de vencer os cerros íngremes e as passagens dos grandes rios - Tabuleiro e Brumado - até a Vila Velha (Livramento de Nossa Senhora) e, gratificante por causa das belezas naturais que a região sempre oferecia aos tropeiros em viagem. Certamente que a Chapada Diamantina é uma das regiões mais bonitas de todo o território brasileiro.
Por fim, a subida da Serra da Vila Velha até a vila de Minas do Rio de Contas (Rio de Contas), no alto da Chapada Diamantina, onde termina a terceira etapa da viagem com destino à cidade de São Salvador.
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