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Dário Cotrim

DÁRIO TEIXEIRA COTRIM baiano de Guanambi. Historiador, membro fundador do Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros e membro efetivo do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais. Sócio efetivo da Academia Montesclarense de Letras e atual Diretor Geral da Biblioteca Pública Municipal de Montes Claros.

MARCELINO JOSÉ DAS NEVES

Postado por Dário Cotrim em 25.07.2010

Em agosto de 2004, o prezado amigo Estácio de Freitas presenteou-me com os volumes I e II - xerocados do original - do romance "Naninha", do professor-escritor Marcelino José das Neves Junior. Este livro foi escrito na cidade de Candiba, que antes era distrito do município de Guanambi e chamava-se Vila de Mocambo. O romance "Naninha" traz a seguinte data: "Mucambo, 31 de julho de 1875". Naninha era o nome carinhoso de sua filha caçula Ana Luiza, que era casada com o funcionário público Raul de Ataíde e que moravam na cidade de Juazeiro, aonde eles vieram a falecer, causando muita tristeza no escritor e em toda a sua família.

Marcelino José ainda escreveu outros dois romances: Lavras Diamantinas (1870) e A Mulher do Chalé Preto. No teatro ele produziu a peça O Designado, uma sátira à sangrenta Guerra do Paraguai, e que foi apresentada, pela primeira vez no dia 2 de julho de 1868, no Teatro Municipal de Caetité. O doutor Marcos Lobato Martins, na sua tese de doutorado certifica que "Na década de 1870, uma voz isolada e débil, confinada praticamente aos sertões da Bahia, faria contraponto ao desejo de Joaquim Felício dos Santos de fazer do garimpeiro um herói republicano brasileiro. Tratava-se do escritor e professor de Caetité, Marcelino José das Neves, autor de Lavras Diamantinas".

Sobre o romance "Lavras Diamantinas" ainda disse o historiador Walfrido Moraes que "o livro Lavras Diamantina, de Marcelino José das Neves, foi o primeiro romance escrito sobre a paisagem e a vida dos sertões da Bahia em plena evidência do grande ciclo da mineração. Os originais, concluídos em 1870, permaneceram por muitos anos, em poder da família". Aliás, este livro foi o único editado, pois os dois outros ainda permanecem inéditos.

Marcelino José nasceu na cidade de Caetité no dia 12 de agosto de 1841. Ele era filho de Marcelino José das Neves e de dona Teodolina de Azevedo Veiga - uma neta do comendador Domingos Gomes de Azevedo. Sabe-se que o seu pai abandonara a família deixando-o responsável pelos seus irmãos e pela a sua mãe. Por isso, Marcelino teve que estudar e dedicar a carreira de professor ainda muito cedo. Lecionou na cidade de Monte Alto, onde se casou com a prima Honorata Raquel da Veiga e, também, lecionou nos distritos de Mocambo (Candiba) e Gentio (Ceraíma).

"Em 1878, foi nomeado professor interino da Escola Pública do Arraial do Gentio - Marcelino José das Neves - cargo que exerceu com assiduidade digna de louvores até 1880, mantendo por esse tempo um internado muito freqüentado por meninos de Caetité e de outros pontos vizinhos" (Pedro Celestino da Silva. Revista do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia. Nº. 58, página 262).

O professor Marcelino José foi convidado pelo estimado amigo Joaquim Manoel Rodrigues Lima para assumir a direção da Escola Estadual da cidade de Duas Barras - atual cidade de Urandi - e, tempos depois, ele foi para a cidade de Rio de Contas, onde ficou uma temporada. Veio a falecer professor Marcelino José, cuja vida foi exemplo de bondade e de doação, na mesma cidade em que nasceu. O falecimento de Marcelino Josocorreu no dia 16 de novembro de 1918.

 

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