Dário Cotrim
DÁRIO TEIXEIRA COTRIM baiano de Guanambi. Historiador, membro fundador do Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros e membro efetivo do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais. Sócio efetivo da Academia Montesclarense de Letras e atual Diretor Geral da Biblioteca Pública Municipal de Montes Claros.
INFORMES DA TYPOGRAPHIA
Postado por Dário Cotrim em 06.06.2010
A história da tipografia brasileira, com a presença dos Cotrins, iniciava no ano de 1865, no Rio de Janeiro, com promessa esperançosa. Antes, porém, é preciso saber que os primeiros membros da família Cotrim chegaram para o sertão da Chapada Diamantina, na província baiana, em 1752 e, em pouco tempo, duas ramificações dessa família desembarcaram em outras plagas em busca de melhores condições de vida. Uma foi para o Rio de Janeiro onde mais de um século depois iniciava a Typographia Indústria Nacional de Cotrim & Campos e, a outra, dessa mesma descendência, foi para a região do rio das Mortes, precisamente onde teria acontecido a Guerra dos Emboabas (São João del Rei). O certo é que foi na região da Chapada Diamantina, na Bahia, que os Cotrins se estabeleceram num primeiro momento com a criação dos currais de gado e com a extração dos diamantes. Algum tempo depois, membros dessa família, saindo da Chapada Diamantina, com as suas tropas, foram cultivar as terras do sertão maranhense.
Sabia-se que no Rio de Janeiro os Cotrins tornam-se exímios comerciantes, ainda que se demonstrasse não terem eles empregado realmente conhecimento nesta área. Na contramão dos acontecimentos é criada a primeira tipografia: Typographia Indústria Nacional de Cotrim & Campos, no ano de 1865, e que durou apenas seis anos. Pesquisando o livro "A Tipografia no Rio de Janeiro", de Paulo Berger, encontramos a seguinte informação: "João José da Cruz Cotrim funda a sua tipografia em 1865, sob a razão social de Typographia Indústria Nacional de Cotrim & Campos, estabelecida na Rua da Ajuda, 106, onde funciona até 1871. Porém, em 1869, assume a direção única da firma João José da Costa Cotrim".
Um dos primeiros livros publicados pela tipografia dos Cotrins foi o "Compromisso da Irmandade dos Martyres Santos CHRISPIM E CHRISPINIANNO, erecta da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Candelária desta corte", no Rio de Janeiro, no ano de 1866. No advento da tipografia, em Minas Gerais, os escritores José Pinto de Sousa; Joaquim Antônio de Magalhães, o naturalista Hermann Burmeister e Luiz Edmundo publicaram na Typographia Indústria Nacional de Cotrim & Campos, conforme consta na Revista do Arquivo Público Mineiro (Belo Horizonte, 2008).
Sabe-se que a partir de 3 (três) de agosto de 1871, a oficina da tipografia passou a ser administrada por João Miguel Alves Affonso d'Aguiar, que associou-se com Vellozo, constituindo a firma Aguiar & Vellozo, conforme consta no Almanak Laemmert, de 1877. Dirá alguém que isso só poderia ter acontecido em virtude da incompetência administrativa de seus proprietários. Isso é verdade. Haja vista que os Cotrins se deram muito bem no campo. Eram eles genuinamente rurícolas. Gostavam de criar o gado e de cultivar a terra. Isso não é invenção e nem sequer uma recordação sentimental, mas podemos afirmar que aqueles que aventuraram na conquista de terras foram muito bem sucedidos. A industrialização, o comércio e as letras não os seduziam muito. Nas letras principalmente, os Cotrins nunca tiveram, durante séculos passados, na história das Academias um nome de real destaque.
Hoje, entretanto, o quadro é bem diferente. Na galeria dos nomes famosos podemos citar com subido orgulho os nomes de Gilberto Cotrim (história/São Paulo), Márcio Cotrim (literatura/Brasília), Luis Neves Cotrim (literatura/Jequié), Igor Cotrim (televisão/Rio de Janeiro). Os saudosos Álvarus Cotrim (cartunista/Rio de Janeiro) e Lupe Cotrim (poetisa/São Paulo). Nós não sabemos por quanto tempo, mas a história agora tem um novo capítulo com a Editora e Artes Gráficas COTRIM Ltda.
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