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Dário Cotrim

DÁRIO TEIXEIRA COTRIM baiano de Guanambi. Historiador, membro fundador do Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros e membro efetivo do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais. Sócio efetivo da Academia Montesclarense de Letras e atual Diretor Geral da Biblioteca Pública Municipal de Montes Claros.

163 ANOS DE NASCIMENTO DO POETA

Postado por Dário Cotrim em 16.04.2010

Atendendo o gentil convite da Fundação Pedro Calmon: Centro de Memória e Arquivo Público da Bahia, formulado pelo doutor Ubiratan Castro de Araújo, nós estivemos, eu e a minha Júlia, na belíssima cidade de Cabaceiras do Paraguaçu, Estado da Bahia, lugar de nascimento do poeta Antônio Frederico de Castro Alves para as comemorações dos 163 anos de nascimento do poeta. O evento aconteceu dentro do Parque Histórico Castro Alves e foi organizado pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, através da Diretoria de Museus do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia e contou com a seguinte programação: Alvorada, missa festiva, performance com Marcos Peralta e o Grupo Viverart Poesia, projeto Sopa de Letras, apresentação cênica da Cia de Teatro Cecéu e um momento musical com Sapiranga e Fabrício Rios, com o Samba de Moças.

Naquela oportunidade visitamos o Museu de Castro Alves, onde estão expostos alguns pertences do poeta e de seus familiares, documentos manuscritos, retratos e também um relato histórico muito bem elaborado da vida do poeta, quadro a quadro, que nos foi apresentado durante o percurso do Museu. Por outro lado, o trabalho cênico de Marcos Peralta, vivendo o papel de Castro Alves, mostrou-nos o poeta com os seus questionamentos em busca da liberdade plena e da independência de um povo sofrido pelas algemas da escravidão, ainda durante o regime imperial. Peralta foi muito aplaudido pelo público, pois ele conversava com as pessoas da platéia e recitava os poemas do poeta como se o poeta ele fosse. A cada poema recitado, o público em delírio aplaudia com muita emoção a performance do artista. Certamente que foi um momento raríssimo para todos nós, onde a poesia se valeu do gênio para o aconchego das nossas almas e o conforto dos nossos corações. Pois bem, isto é a magia da Bahia!

No dia seguinte, fomos todos em caravana para uma reunião festiva na Academia de Letras da Bahia a convite do confrade Edivaldo M. Boaventura - Professor Emérito da Universidade Federal da Bahia e Presidente da Academia. Ali assistimos dois interessantes documentários sobre o poeta Castro Alves. Em destaque o filme "A Noiva", um relato excepcional sobre a jovem Leonídia de Menezes Fraga, a musa sertaneja do poeta. O filme teve embasamento no livro "Leonídia: a musa infeliz do poeta Castro Alves", da acadêmica Myriam Fraga. Prefaciando o livro, a escritora Edinha Diniz o "definido como sendo um breve roteiro de um périplo sentimental da musa serrana que se tornou sombra errante em vida e terminou seus dias como a dama do solar, onde era conhecida como a noiva do poeta".

Na seqüência, Antônio Brasileiro, poeta conquistense que também esteve na Academia de Letras da Bahia, fez uma palestra sobre os poemas de Castro Alves. Para os acadêmicos presentes, não era tão somente do povo a Praça Castro Alves, mas todo o recôncavo baiano, em especial a cidade de Salvador. Era a cidade de São Salvador com todos os seus casarios, com toda a sua magia e com todo o seu encantamento. Era o encantamento do povo baiano, do imenso mar revolto, das superstições seculares, da saborosa culinária. Era o encantamento da música, das danças e da poesia. Disse Castro Alves, em 1864, que "a praça é do povo como o céu é do condor". Inteligentemente o nosso ilustre Caetano Veloso transformou o verso ora citado da seguinte forma: "A Praça Castro Alves é do povo como o céu é do avião". Vivenciamos, pois, momentos de real beleza! Viva a Bahia! Viva Castro Alves!

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