Dário Cotrim
DÁRIO TEIXEIRA COTRIM baiano de Guanambi. Historiador, membro fundador do Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros e membro efetivo do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais. Sócio efetivo da Academia Montesclarense de Letras e atual Diretor Geral da Biblioteca Pública Municipal de Montes Claros.
PERSISTÊNCIA DOS SÍMBOLOS
Postado por Dário Cotrim em 28.03.2010
A lembrança que se tem dos bandeirantes paulistas era que eles eram bandidos sanguinários, saqueadores de propriedades e preadores de índios. Para tanto fora necessário, como convinha, convertê-los em símbolo nacional para que a sua imagem não estivesse ameaçada pelo descaso público. Entretanto, desde que se fez deles símbolos nacionais, dir-se-iam que eles tornaram-se os heróis da pátria. Devemos concluir daí que assim aconteceu com Tiradentes, o nosso Joaquim José da Silva Xavier, depois de longos estudos realizados pelos ilustres historiadores do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais. Também o bandeirante Antônio Gonçalves Figueira não gozava de boa reputação, haja vista que ele era um exímio preador de índios, tornando-os em escravos e vendendo-os para os senhores de engenhos e para os exploradores das minas auríferas. O tempo passou. Hoje, o sertanista Antônio Gonçalves Figueira é considerado, com justa importância, o fundador da cidade de Montes Claros e conseqüentemente é lembrado como sendo o herói da nossa cidade.
Sobre este aspecto, é preciso desde logo notar que muitos bandeirantes foram considerados os homens temíveis. No principio do século dezessete, os jesuítas combatiam o trabalho dos bandeirantes alegando duas razões imediatas: primeiro pela falta de uma religiosidade, pois não havia a participação de padres durante as excursões das bandeiras e, como é fácil intuir, eram os bandeirantes os homens sem fé. E, por outro lado, as incursões sertanistas constituíam ameaças políticas para o império. Nota-se que as Entradas, com os mesmos objetivos, tinham presentes à figura dos padres, assim como aconteceu com a expedição de Francisco Bruzza de Espinosa que teve a presença do padre João de Aspicueta Navarro. Com o advento da colonização do território brasileiro, os cunhados Mathias Cardoso de Almeida e Antônio Gonçalves Figueira deixaram para os de hoje um exemplo de prosperidade, patriotismo e trabalho na construção das vilas de Morrinhos (atual cidade de Matias Cardoso) e Montes Claros das Formigas (atual cidade de Montes Claros). Pode ser que não sejam eles os responsáveis diretos no desenvolvimento do sertão norte-mineiro, mas não há como distanciá-los de tudo do que aqui ainda existe. Ao passo que os outros bandeirantes que estiveram na nossa região, somente queriam explorar as riquezas da terra e transportar essas riquezas em bruacas para alhures.
Mesmo tendo abandonado a fazenda dos Montes Claros, o sertanista Antônio Gonçalves Figueira deixou nela os alicerces para a criação de uma vila próspera. Era, por assim dizer, a fazenda dos Montes Claros o entroncamento das estradas por onde passavam as tropas e as boiadas. Também essas estradas foram utilizadas para o transporte dos diamantes, tornando-a Estrada Real pelo Caminho do São Francisco. Dos colonos, já se vê, que eles necessitavam de escravos. Capistrano de Abreu dizia que "a primeira coisa que [os colonos] pretendem adquirir são escravos para neles lhes fazerem suas fazendas". Pois bem, apesar dessa clara compreensão histórica, o sertanista Antônio Gonçalves Figueira optou por prear índios e vendê-los como escravos aos colonos.
COMENTE ESSE ARTIGO | 0 COMENTÁRIOS
Mais Artigos
Data: 20.01.2012
Artigo: O SOM QUE INCOMODA
Data: 10.01.2012
Artigo: POEIRA NO AR
Data: 10.12.2011
Artigo: TOLERÂNCIA ZERO
Data: 20.11.2011
Artigo: A corrupção nos Ministérios
Data: 10.11.2011
Artigo: PALMAS DE MONTE ALTO
Exibindo 1 a 5 de 56 registros










