Aurélio Rocha
É médico, reside na cidade mineira de Itajubá e assina a Coluna Carta das Gerais no Jornal Tribuna do Sertão.
Violência e Estradas
Postado por Aurélio Rocha em 11.12.2009
Manchetes e editoriais ao longo dos últimos dois meses abordando a violência pelo país afora. Até na Bahia o embate entre marginais e policiais são registrados, isso sem se ater ao Rio de Janeiro, onde estivemos n o último fim de semana e que, embora em Copacabana, não tivemos, mesmo assim, coragem de dar uma "bordezagem" pela orla. Medo. Paura mesmo. Dentro do quadro que nos provoca revolta - isso de maneira geral - das evasivas governamentais, vai-se vivendo sem se saber se teremos ou não uma maneira de se ganhar a "guerra" contra a bandidagem. O governo, certo ou errado, desarmou a população civil com as leis relacionadas ao porte de armas e os bandidos estão se "esbaldando" a subir morros, lenço no rosto e balançar potentes metralhadoras... Mas apesar de estarmos a conviver diariamente com a violência (os acidentes, os crimes sem razão, etc) não nos acostumamos e numa análise superficial os confrontos resultam da luta entre grupos que manipulam os pontos de tráfico de drogas enquistados nos altos dos morros que foram ocupados de maneira desordenada através dos anos e com beneplácito dos governantes da época.
Interessante é que vendo através da televisão defunto até em carrinho de supermercado ou sendo transportado em lençol e bala perdida a matar crianças, a nossa atenção ficou voltada para o dado divulgado pelo Ministério da Saúde entre 1999/2008, por contaminação da água que se ingere para matar a sede, dez mil pessoas tiveram doenças ditas de veiculação hídrica, com gravidade e mortes até. E um destaque: 40% daqueles que foram acometidos por doença provocada pelo uso do precioso líquido, adoeceram apesar de usarem água distribuída pelos sistemas de saneamento (água que se paga) porque não tiveram o cuidado de limpar corretamente as caixas d'água. Aliás, a "ANVISA" não fornece explicações sobre os casos de doentes fora dos 40%. Se alenta em saber que a água que as distribuidoras estatais distribuem é de qualidade. É água potável: coletada, decantada, filtrada e clorada.
Mas pulando de um lado para o outro, espantoso e vergonhoso é o revelado pela pesquisa da Confederação dos Transportes: 70% das nossas rodovias foram classificadas como "péssimas", "regulares" ou "ruins". Chama atenção de quem viaja constantemente como nós que 46% das rodovias não dispõem de acostamento; 51% tem traçado classificado como tendo sinalização insuficiente ou inadequada. E daí são só 30 mil mortes por ano em consequência de desastres automobilísticos em nossas estradas.
Um destaque importante: São Paulo - e teria que ser São Paulo obviamente - tem as melhores estradas do país. Vias privatizadas deverão arguir. E daí? Há pedágios. Mas, não há buracos... Pedágio encarece viagem, dizem alguns. Em tese. Na realidade isso é até desprezível. Deixamos o conforto dos telefones a cada quilômetro, a assistência militar e médica de lado. Fiquemos só com a manutenção do veículo. Exemplificando objetivamente: no ano passado tivemos necessidade de irmos a Lins, distante de Itajubá 590 quilômetros. Foram quatro viagens. Pagamos de pedágio no total menos de 200 reais (2.270 km). Nenhum buraco. Nenhuma assistência ao veículo (já até bem usado, um Omega 1997). Em janeiro último deixamos Itajubá e pela Rio/Bahia lá fomos com o destino de sempre: Vitória da Conquista / Brumado / Livramento / Paramirim / Caetité. De Vitória da Conquista até Paramirim "Deus nos acuda, como dizia o "tio" Archimimo (tem que ser com "chá". Conquista / Brumado: catando buraco (no ano anterior o DERBA colocava terra vermelha nos buracos do asfalto). Foram só 3 horas e meia no sufoco. Outro sufoco para Paramirim. Gastamos mais 3 horas e quando retornamos (não pagamos nenhum pedágio) estava o prejuízo: o eixo traseiro do "Omega" empenado e pneus traseiros, colocados à véspera da gastos, corroídos. Nos custou só 1.900 reais o passeio para recuperar o veículo e vendê-lo. Com certeza, se tivéssemos que pagar pedágio, mesmo que fosse a 5 reais por cada 30 km ainda assim o percurso Conquista / Paramirim seria insignificante. Nós somos partidários das ferrovias. Mas, esperamos que pelo menos a Rio / Bahia fique como a Fernão Dias, que mudou rapidamente com a privatização. Hoje se paga 1.10 por pedágio de Itajubá / Belo Horizonte. São quatro pedágios. Vale a pena. Claro que privatizando as principais rodovias ficará a cargo dos governos a manutenção das outras estradas. No momento - e fizemos isso em julho último - preferimos viagem por BH / Montes Claros / Espinosa / Guanambi / Caetité e depois Paramirim. Evitamos assim prejuízos e aborrecimentos.
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