Aurélio Rocha
É médico, reside na cidade mineira de Itajubá e assina a Coluna Carta das Gerais no Jornal Tribuna do Sertão.
Me reformulando!...
Postado por Aurélio Rocha em 20.11.2011
1 - Lá pelos idos de 1949, então menino ginasiano (primeira turma do Ginásio de Caetité que substituiu a extinta Escola Normal Rural de Caetité) tínhamos o hábito de "bater uma bolinha" nas proximidades de um prédio que diziam ter sido construído logo após a guerra (estou falando da 2ª e não da 1ª...) para abrigar tuberculosos o que jamais aconteceria porque corrigindo informações foi Clemente Mariane, então Ministro da Educação e Saúde que monitorizou a construção de uma rede de hospitais (nosocômios é bem bonito) e assim em Caetité, Lapa, Morro do Chapéu, Livramento (?), etc. o tempo passou (e como, né?) e o "elefante branco" lá de pé, portas fechadas e como médicos em Caetité o Dr. Clovis, depois Dr. Clarismundo e de passagem Dr. Laert. Adormecido o "nosocômio ficou até 1962.
2 - Da cidade, na época entre 49 e 62, dois filhos da terra cursaram Medicina na Bahia (Salvador): Dr. Woquiton Fernandes e José de Carvalho Costa. E os dois - "por atavismo assim acredito" - já no último ano de faculdade fixaram idéia de retorno para não abrir um "consultório", mas para fazer o "elefante branco a funcionar". Uma tarefa hercúlea, sem dúvida. E ambos procuram fazer suas Residências Médicas: Dr. Woquiton (Quito) clínica médica geral e o Dr. José (Zequinha) enveredou pela cirurgia já chegando à residência com formação completa na Obstetrícia, graças os longos anos de internato na então Maternidade Nita Costa e depois Tysila Balbino.
3 - Formados. Concluídas residências. Resolveram ambos retorno à terra onde tinham "umbigos enterrados" e sem possibilidade de reavê-los, mãos à obra: colocar o hospital, que passou a ser designado Hospital Regional de Caetité, em pleno funcionamento. E aí - o destaque máximo da história vivida até hoje pela instituição - surge a figura magnífica de um BISPO (quero com letras maiúsculas mesmo): Dom JOSÉ PEDRO COSTA. Mineiro do Cerro, lá em Minas Gerais e um apaixonado por Diamantina também em Minas, pegou a idéia e formou um dos mais importantes tripe de homens que começavam a contar uma história das mais belas (e posso aquilatar sem medo) registrada em toda região onde se situa CAETITÉ que a professora Helena Lima Santos definiu como "pequenina, mas ilustre em seu livro".
4 - Não desejo entrar em detalhes, nem esmiuçar a história. O fato é que as portas do então "elefante branco" que D. José conseguiu jogar nos braços da Comissão do Vale do São Francisco, então "feudo" do Deputado Manoel Novaes, tudo começando com um Serviço de Ambulatório. Na realidade houve mutirão para funcionar o hospital. Ainda vejo Woquiton e Zequinha participar da pintura das camas que iriam servir para abrigar os futuros pacientes. Sem modéstia alguma posso dizer QUE EU ENTENDO DE HOSPITAL e o que foi feito em Caetité está além do que fiz para instalação e funcionamento dos Hospitais: o Hospital das Clínicas de Mirandópolis com seus 220 leitos e o Guilherme Álvaro em Santos com 230 leitos, em Santos, hoje referência em São Paulo... No fundo tenho um pouco de "inveja e frustração" porque não cheguei com os dois "doutores" inclusive não vi o Dr. Woquiton anestesiar para o Dr. Zequinha operar a "primeira hérnia que por sinal é uma das mais difíceis cirurgias pelo resultado" com ajuda de Dona Francisca.
5 - Um dia vou pesquisar - não agora - a data exata de quando tudo começou com o tripe Dom José + Woquiton+Zequinha e depois crescido grupo com o ingresso do Dr. João Gumes, o "homem do laboratório, peça fundamental". É uma história (ou estória, sei lá...) muito bonita, inclusive com pessoas que e longe vieram e deram um apoio irrestrito com atuação gratuita. Mas a que vem minha "lenga-lenga" do momento? Se não fui do grupo inicial como médico, com certeza cheguei em certo momento e aqui com família permaneci muito mais como discípulo num hospital que tinha o nome de HOSPITAL REGIONAL DE CAETITÉ e hoje não mais nem um timbre tem porque tudo virou só uma sigla: FHSS (Fundação Hospitalar Senhora Santana). Eu gostaria de sentar com alguém para que me dissesse em que ponto da estrutura organizacional da FHSS está o "Hospital Regional de Caetité". Claro que em Caetité, em pleno funcionamento há um belíssimo hospital de mais de 100 leitos que a meio século serve à população. Não foram poucas as vidas que estão circulando por aí (algumas até com mando) não houvesse a anestesia do Dr. Woquiton (Quito para mim) e a salvadora cesariana praticada pelas mãos hábeis do Dr. Zequinha e já seriam anjos e estariam no céu... (dou nome, dia, hora, etc. e ainda dias atrás comentava isso).
6 - Me parece - claro que não estive presente por ocasião da fundação da FHSS que já está na hora de se sentar e, com discussão adequada, racional, desapaixonada, não individual e redirecionar rumos para se ter um HOSPITAL à altura do que sempre foi o HOSPITAL REGIONAL DE CAETITÉ. Inclusive está na hora de realçar a participação de indivíduos que se dedicaram em prol do hospital e ainda continuam em prol da FHSS.
7 - Desde que me entendo vivo em hospital. De Caetité para São Paulo. Nunca tive um consultório fora do hospital, salvo agora já aposentado com minha clínica em Itajubá. Em vários lugares "existem fundações" que são mantenedoras de hospitais, Faculdades de Medicina, de Enfermagem, etc. Até mesmo as seculares Santas Casas - com destaque para a primeira fundada no Brasil em 1543, por Braz Cubas, e em pleno funcionamento com seus mais de 1000 leitos, tem seu hospital com nome.
8 - Inovar é sempre bom. A Administração Hospitalar evoluiu de maneira científica, principalmente a partir de 1949 e é hoje uma área de "administradores hospitalares". Há um organograma. Tenho procurado qual o organograma do Hospital Regional de Caetité e fico confuso. Na FHSS o Diretor Técnico (muito bem exercido pelo Dr. Rômulo). E o Diretor do Corpo Clínico (aliás, não sei se é aberto ou fechado) que deve ser eleito pelos médicos e exercer sem "ônus" para a instituição assim como onde anda a Comissão de Ética? Através da FHSS o Dr. Rômulo de Castro Neves é o Diretor Técnico e vem exercendo o cargo com denodo e maestria. Mas também gostaria de ir à sala do Diretor Clínico e conversar com ele. Não achei até agora... E os Conselhos de Medicina tem diretrizes a serem seguidas rigorosamente com normas, etc.,
9 - Também não achei ainda e não encontrei nem mesmo o meu Hospital Regional de Caetité que ainda em tempo poderá ser ressuscitado assim: Fundação Hospitalar Senhora Santana, mantenedora do Hospital Regional de Caetité "Dr. José de Carvalho Costa". Levante os que gostam de "internet" se o Brasil não está cheio de hospitais com nome de médicos ou de outras pessoas que merecem ter nome portico?
Ando triste. "Macambúzio". Dividido entre a região e meu "Sul de Minas" onde me aposentei como "professor por 25 anos". Espero que a Direção da FHSS não tome o que escrevo como médico, mas, sim, na qualidade de "jornalista profissional" daí sem complicações com Conselho... E que urgente promova uma placa para ser colocada no "hall" do hospital com o nome de todos os médicos que sempre viveram com a imagem do HOSPITAL REGIONAL DE CAETITÉ...
Em 20.10.11
"Dia do Médico"
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