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Aurélio Rocha

É médico, reside na cidade mineira de Itajubá e assina a Coluna Carta das Gerais no Jornal Tribuna do Sertão.

Coisas estranhas!...

Postado por Aurélio Rocha em 19.08.2010

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Pleno domingo, frio por aqui nesta época é como Caetité, Rio de Contas e etc., e estou seguindo o ritual na região (Hospital de Caetité) e ainda mantendo vínculo por essas bandas das “gerais”. E “o míope”, obviamente teria que ficar colado “como grude” para volta e meia lançar as suas observações, às vezes até válidas. E como de hábito vivo sempre em torno de hospitais, claro que teria que rever local onde durante 22 anos, diariamente sem falha, todos os dias às sete horas em ponto “assinava ponto” coisa que jamais desejaria fazer novamente... Mas contato com colegas, alunos ainda porque os quintanistas do ano passado são doutorandos este ano, somos atualizados até mesmo nas “fofocas.”

 

Uma coisa, no dia-a-dia do exercício da medicina em Caetité, especificamente, vem me levantando curiosidade é o vasto receituário de Enfermeira. São receitas - não dentro das normas por sinal o que, aliás, acontecem com médicos também - emitidas com a assinatura da enfermeira, com COREN e tudo no final e isso é mais evidente na área do “pré-natal”. Dizem que “cada terra tem seu uso e cada roca tem seu fuzo”, mas em termos de receituário para gente não vivenciamos como agora registramos. Nos parece que diagnóstico, receita para tratamento, acompanhamento médico e até o “atestado de óbito” entre outros atos, sempre foram atividades, entre outras, médicas. Agora mesmo transita por um CRM e na justiça o fato de uma grávida ter sido medicada (receita foi da Enfermeira, com Coren legal etc.) de uma medicação que, é até rotina, mas que desencadeou uma hemorragia digestiva na paciente tratada em regime de internação, com transfusão de sangue inclusive. E aí, de quem é a responsabilidade? A atividade de enfermagem - e particularmente não sei trabalhar sem enfermeira - é de suma importância quando se assiste paciente quer no sistema ambulatorial domiciliar e hospitalar, além de outras áreas. Como se cuidar bem de uma gestante - por exemplo - sem dentista, assistente social, visitadora sanitária? Mas há necessidade de colocar cada um em seu lugar.

 

Também venho estranhando laudos de citologia oncótica (o Papanicolau) com assinatura de “farmacêutico que fez curso”. Ficando por aí irei até me acostumar. Conheço um pouco da área citologia. Fiz curso. Sei do valor das “citoescrutinadoras”. Mas laudo citológico implica em preparo de um médico que após diplomar-se, enfrenta concurso para “residência médica” para ser, três anos depois de dedicação exclusiva, titulado em anatomia patológica e, incluindo aí - gente isso é mais que óbvio grita “o míope” – a citologia, um dos passos para se chegar ao diagnóstico de um câncer genital e não apenas nesta como em outras áreas.

 

É preciso se esclarecer - e na região se passa por cima - que o diagnóstico do câncer da vagina e colo do útero não pode ser fechado com um simples exame de Papanicolau, uma técnica revolucionária introduzida a partir de 1933 pelo russo naturalizado norte-americano George Papanicolau e até mesmo ele, em sua obra (livro de Citologia) enfatiza. Aliás, antes de se introduzir o exame do russo, em 1926 Heinnselman colocou na prática o estudo dos órgãos externos feminino pelo “colposcopia”. Em termos de diagnóstico de câncer genital não se deve brincar e a metodologia aceita é até o momento: exame ginecológico com coleta do material para citologia, colposcopia simples e ampliada e, se necessário, a biópsia do colo, de preferência a “Baliu”. Na minha mulher, nas minhas filhas e nas minhas clientes não abro mão da metodologia que vem sendo usada desde o século passado.

 

Mas, “o míope”, sempre ele, interrompe tudo para pedir o vinho e chamar a atenção para a nova “Lei do Ato Médico” que na realidade poucos atentam... Com frio, aqui na Mantiqueira, aguardando jogo final da “copa” com o “Vapocela” se esquece de tudo...

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