Aurélio Rocha
É médico, reside na cidade mineira de Itajubá e assina a Coluna Carta das Gerais no Jornal Tribuna do Sertão.
Dia do Índio
Postado por Aurélio Rocha em 22.05.2010
Nós temos dia para tudo. Deveria ter o "dia do ócio" e nós seríamos personagens de primeira fila durante comemorações. Sem dúvida, hoje até o Presidente Lula vai se fantasiar de índio. Os meninos e meninas nas escolas, pelo menos hoje irão ter "parença", como dizia meu "Tio Archimimo", de índio. Sempre esteve na minha "curta mente e escasso conhecimento antropológico", porque eu e mais alguns, de pele branca, "somos os brasileiros" e aqueles que aqui estavam quando portugueses curiosos chegaram "são índios"? Por coincidência - e por que o "velho Aurélio" levantava questões sobre o tema índio - começamos a leitura de um livro com o título mais apropriado que já encontramos: "Guia Politicamente incorreto da História do Brasil". Autor: um jovem desconhecido de nome Leandro Narloch (não tem mais que 36 anos de idade). As encenações e descrições da chegada do Cabral lá no sul da Bahia, inclusive com quadro pintado e amplamente divulgado, de repente nos fez, com leitura, retorno ao curso de ginásio quando o Professor Milton Santos (não era índio nem branco, mas um negro) que faleceu há pouco tempo atrás como Professor Emérito da USP, contava a "estória da história" mais ou menos como o texto do Leandro que colocamos a seguir:
"... De repente, porém, aconteceu um fato extraordinário. Apareceram no horizonte enormes ilhas de madeira, que eram na verdade canoas (o grifo é nosso) altas, cheias de homens estranhos. Numa quarta-feira ensolarada do sul da Bahia, duas pontas da migração do homem pela Terra, que estavam separadas havia 50 mil anos, ficaram frente a frente. Os milênios de isolamento dos índios brasileiros tinham enfim acabado..."
Confessamos que se por algum momento tivéssemos dúvidas de como chegaram os portugueses ao Brasil, pela descrição sumário sumiram todas as dúvidas. Mas hoje, "Dia do Índio", a licença para se erguer uma hidroelétrica lá no rio Xingu foi suspensa e Juízes vão novamente julgar o caso. De um lado há os "índios" - aqueles que em 1500 receberam muito bem os portugueses - e os ditos brasileiros ambientalistas - que são contra se represar rio, inundar área de suas (dos índios, sem dúvida) terras, ficando na outra ponta o Governo que necessita de energia para gerar "progresso"... para brancos e índios.
Parece que desmatar, tocar fogo em florestas, derrubar madeira, é coisa de branco e até meteram e ainda metem na cabeça das crianças, dos adolescentes. O fogo - tanto em língua indígena que achamos ser a "língua brasileira" - como no nosso português de Camões - tem seu significado específico como agente devastador. E no livro citado há comprovação de que indígenas antes dos portugueses já queimavam, desmatavam e faziam roçados. E como não somos versados em linguagem dos índios, citamos palavras com seus significados que por sorte estão no texto: "cajuru ou entrada da mata"; "capoeira ou roça abandonada"; "caiuruçu ou incêndio"; capixaba ou terreno pronto para plantio" e "caiapó ou quem traz fogo à mão". Com tal sumário se entende que não foram os lusitanos que começaram a devastação florestal, como por exemplo da "Mata Atlântica"... Honestamente nós, lá no fundo, em caráter confidencial, gostaríamos de sermos índios no Brasil pela proteção - merecida - que eles tem e inclusive sob manto da Constituição dos "brancos", mas, em vários momentos usando "as suas próprias leis... "Lembram-se do índio Paiakan? Estuprou, estuprou, mas, era "inimputável" (parece que assim se escreve). Embora em Caetité, "o míope" chegou agora. Mas aqui ele não vai nos explorar...
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