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Aurélio Rocha

É médico, reside na cidade mineira de Itajubá e assina a Coluna Carta das Gerais no Jornal Tribuna do Sertão.

Caetité e Correio

Postado por Aurélio Rocha em 28.04.2010

Parece que completar seus 200 anos - são dois séculos de vida - pouco significa para o Estado e uma grande região, embora até estejamos em plena época eleitoral e isso observamos no transcorrer da semana, uma vez que no dia cinco último a famosa "princesa do sertão" festejou uma maioridade invejável. E andando por municípios até limítrofe não ouvimos nem mesmo rumores a respeito da data. Mas somos fissurados na região e estando no momento no Caetité ficamos lá de cima de onde era o ponto mais alto, ou seja, o observatório a observar a cidade que assim como envelheceu - duzentos anos não é pouca coisa - se desenvolveu, cresceu e tem seus problemas e suas belezas. Aos poucos porque sozinho e a ter o sol a se por, na memória veio o ano de 1949, quando menino, montado num burro e depois de um dia e meio de jornada lá do cemitério vimos o casario e até prédios da antiga escola Normal Rural de Caetité, onde iria o menino do Paramirim que nasceu em Brumado iniciar sua vida de estudante. É óbvio que na época o "must" era ou a Rua Barão ou mesmo a Saldanha, onde se fazia o "futing" da noite. No Largo do Alegre, esquina, a agência do Banco do Brasil. A estrada de Brumado para Caetité se iniciara e era uma odisséia se viajar a Salvador. Mas, a vida sempre foi de muita qualidade para o caetiteense com suas pessoas cultas, sua Diocese, seu incipiente Ginásio (o escriba aqui foi da primeira turma) e um teatro com cinema e tudo.

Caetité sempre imperou, no bom sentido. Interessante que em pleno aniversário fico a pensar de como era difícil comunicação de então. Havia o correio - e a imagem que faço é do amigo Satiro - mas a minha comunicação era através de "Ze Freguizia" que além de levar seus burros com bruacas cheias de queijo, farinha de beiju, etc., levava as cartas porque andava mais rápido que o correio. Aliás - e parece sem nexo mais existe - todo o sistema por muitos anos foi usado com os "ESTAFETAS" transportando os sacos lacrados ou selados no lombo dos muares, partindo do Sincorá via Rio de Contas, etc. Mas, se estava acostumado com o sistema que aos poucos evoluiu. Ou parece que evoluiu na época da internet, mas, não é bem assim. Fiz uma crônica a respeito do aniversário de Caetité - estava lá em Itajubá, MG - e que foi postada em 17.03.10. Esperava sua publicação. Por deleite, exatamente no dia CINCO DE MARÇO ao entrarmos na redação do jornal, lá em Brumado, eis que o estafeta chega exatamente naquele momento para entregar a crônica envelopada e com o carimbo de saída lá de Itajubá no dia 17.03.10... Então fiquei a pensar se o progresso chegou aos Correios e depois entrou em processo de "involução compulsória por ter saído da alçada direta do Governo Federal..." E então agora mando outra crônica para dizer a Caetité que ela é uma menina nos seus 200 anos e mesmo com atraso nós MUITO A AMAMOS. Aurélio Rocha.

 

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